terça-feira, 11 de setembro de 2007

O PRIMEIRO DIA DE AULA

O primeiro dia de aula é motivo de alegria e ansiedade para os pequenos, principalmente quando este representa o início da vida escolar das crianças. As turmas que tenho atendido nos últimos anos, geralmente não passaram pela pré-escola, vindo diretamente de casa. Para estas crianças, o primeiro dia de aula assume um significado mágico e muitas vezes...assustador! É fundamental que o professor esteja com o planejamento muito organizado, para transmitir a segurança necessária aos pequenos aprendizes. Este momento inicial é determinante na relação professor-aluno, que irá constituir-se ao longo do ano letivo. No primeiro dia de aula, costumo convidar os pais para entrarem na sala, conhecer o ambiente e participar de uma breve reunião. As crianças mais inseguras sentem-se aliviadas com a presença do familiar e os pais mais receosos também tranqüilizam-se com esta iniciativa. O contato inicial entre pais e professores destina-se a apresentação dos profissionais que trabalharão com a turma (professor referência e especializados), a informes funcionais (horários da escola, horário da turma, lista de material) e também a entrega de uma entrevista (anamnese), que deverá ser preenchida posteriormente pelos pais, afim de esclarecer particularidades de cada criança. É um contato breve, porém muito relevante. Encerrada esta reunião, os pais são dispensados e permaneço apenas com as crianças. Normalmente a carga horária da primeira semana é reduzida, para facilitar a adaptação e possibilitar um maior espaço de planejamento para os professores. Costumo levar os crachás de identificação com os nomes dos alunos (escritos com letra BASTÃO) e proponho a formação de uma rodinha. Coloco os crachás numa caixa e vou retirando um a um, perguntando "De quem é esse nome?" A criança se identifica e vai para a rodinha. Convém salientar que, levando em conta o perfil da comunidade que atendo, são poucos os alunos que reconhecem a escrita do seu nome no primeiro dia de aula. Portanto, este trabalho com os crachás necessita ser incorporado a rotina diária, durante o período que for necessário para que o aluno construa este conhecimento. Ainda na rodinha, incentivo os alunos a se apresentarem para os colegas, dizendo o nome, a idade e o que mais gostam de fazer. Não costumo insistir com aqueles que apresentam resistência para falar, deixando-os livres caso não queiram se apresentar. Encerradas as apresentações, conto uma historinha infantil de fácil entendimento, explorando bem as gravuras e permitindo que as crianças expressem suas impressões sobre o que ouviram.
Logo após, voltam para suas classes, levando os crachás. Entrego folhas de ofício para que desenhem sobre a história. Nada original, mas de extrema importância. Propondo uma atividade simples(desenho) que quase toda a criança consegue realizar de alguma forma, fortaleço a auto-estima dos pequenos, que sentem-se capazes nesta primeira vivência escolar. Atividades muito elaboradas neste contato inicial, podem inibir o aluno. O principal no início é que a criança sinta-se bem no ambiente escolar. Após desenharem, devem copiar o nome do crachá (muitos resistem, dizendo que não sabem fazer). Peço que tentem fazer do seu jeito e, se necessário, seguro a mão dos mais inseguros). Neste momento o professor deve atentar-se a forma com que a criança segura o lápis, realizando as intervenções necessárias e orientando-as adequadamente.
É interessante que o primeiro desenho produzido pelo aluno seja arquivado pelo professor, para analisarmos a evolução da representação gráfica de cada criança durante o ano. Terminado o desenho, recolho os crachás e organizo as crianças em grupos, para que brinquem com massinha de modelar, ou quebra-cabeças. Depois, investigo as musiquinhas infantis que já conhecem e gostam de cantar, dedicando um tempo a esta tarefa. Não costumo dar tema de casa nos primeiros dias. Considero importante a utilização do caderno ou bloco sem pauta, desde o primeiro dia. Registramos a data e o que fizemos durante o dia, por tópicos. A iniciação ao uso do caderno, requer muita paciência por parte do professor. É necessário explicar desde a posição correta do caderno, a escrita da esquerda para direita. Tudo o que nos parece tão óbvio, mas que para nossos aprendizes iniciantes é extremamente novo e complexo. Muitos alunos não conseguem reproduzir a grafia correta das letras, muito menos mantê-las dentro da linha. Já tive muitos alunos que faziam apenas bolinhas ou risquinhos nos primeiros dias de aula e que ao final do ano, estavam lendo. Cabe ao professor orientar sempre, repreender tais "erros", jamais. Uma dica válida para facilitar o uso do caderno é solicitar que os alunos aguardem e, antes de colocar a data e a agenda no quadro, passar de classe em classe, marcando a linha na qual deverão escrever. Ao final, passar novamente de classe em classe, orientando que pintem uma linha, para separar o que foi escrito do próximo registro que será feito. Dá trabalho no início, mas a cada dia, mais alunos vão automatizando este processo e evita-se que as crianças escrevam em qualquer página, com o caderno virado, auxiliando-os a manter a ordem. Nada mais desgastante para o professor e desestimulante para a criança e a família do que cadernos que viram uma anarquia em apenas uma semana de aula. Aconselho também, que para aquelas crianças que apresentarem muita dificuldade em conservar o material limpo e em ordem ( o caderno vai para casa e volta desmontado) o ideal é manter o caderno no armário da sala.

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